O Território Sagrado do Samba
Quase a metade dos dez milhões de cativos retirados do continente africano entre 1500 e 1850 veio parar no Brasil. A descoberta de ouro e diamantes nas Minas Gerais provocou uma demanda sem precedentes de escravos, transformando o porto do Rio de Janeiro num entreposto estratégico.
O principal local de desembarque e comércio de negros era na atual Praça Quinze e seus arredores.
O crescimento do tráfico e a presença maciça de cativos incomodavam à burguesia lusitana, que pressionou o Marquês do Lavradio a baní-los dali.
Por volta de 1770, cansado de ouvir reclamações, o Marquês decidiu transferir o mercado de escravos para a região do Valongo, até então ocupada por chácaras e hortas.
A mudança introduziu uma série de novas atividades na região. Foram instalados mercados, trapiches (armazéns de mercadorias importadas, incluindo escravos) e manufaturas (trabalhos feitos à mão). As chácaras foram loteadas, os pântanos aterrados e, em pouco tempo, toda aquela área, hoje compreendida pelos bairros da Saúde, Santo Cristo e Gamboa, foi integrada à malha urbana da cidade. A Cidade do Samba está situada no coração da Gamboa.
Por doença ou inanição, muitos escravos morriam na viagem entre a África e o Brasil e seus corpos eram atirados no mar. Outros, morriam pouco depois do desembarque e eram enterrados nos pátios das igrejas ou, simplesmente, abandonados nas praias e nas ruas. Os que sobreviviam eram banhados, vestidos e conduzidos à Casa de Engorda, onde eram alimentados. Aparentemente refeitos e com outra disposição, eram vendidos no Mercado do Valongo, que ficava nas imediações da atual rua Sacadura Cabral.
Nos dias entre a chegada e a partida para o trabalho forçado nas minas e nas lavouras, os negros batucavam e cantavam para matar um pouco da saudade de sua terra - para onde, certamente, nunca mais voltariam. Nas proximidades do Valongo nasceram as primeiras rodas de samba.
Recentemente, diversas ossadas de escravos foram encontradas em ruas vizinhas à Cidade do Samba, como é o caso da Rua Pedro Ernesto, onde a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro tombou o sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, expressão que designava os nativos recém-desembarcados. Com a instalação da Cidade do Samba, os tambores voltaram a rufar.
O triângulo formado por Saúde, Santo Cristo e Gamboa concentra grande tradição da cultura popular da Cidade, notadamente de personagens e entidades ligadas ao Carnaval Carioca. Nas escadarias da Pedra do Sal, proximidades da Praça Mauá, baluartes como Donga e João da Baiana promoviam animadas rodas de samba. Passar por ali era caminho obrigatório daqueles que se destinavam aos batuques na casa da Tia Ciata, na Praça Onze, a antiga Pequena África do Rio.
Hilário Jovino Ferreira sedimentou a tradição dos clubes de rancho - que, futuramente, seriam copiados em sua estrutura de desfile pelas Escolas de Samba. Fundada por estivadores, a Vizinha Faladeira é uma das agremiações mais antigas da Cidade e está lá até hoje.
"FORÇAS DA NATUREZA"
O novo espetáculo leva ao palco a exuberância dos desfiles das Escolas de Samba. Elenco reúne 70 estrelas da Avenida.
"Forças da Natureza", o espetáculo da Cidade do Samba, estará de volta na noite de 15 de outubro, às 20 horas, voltando a ser exibido no dia 29 daquele mês. A partir de então, acontecerá todas as quintas-feiras, no mesmo horário, levando ao público um dos melhores shows da noite carioca.
A temática do show é voltada à preservação do meio-ambiente, sugerindo uma reflexão sobre a necessidade de mudança de atitudes do homem para com os patrimônios naturais. "Forças da Natureza" é um grito de alerta em ritmo de samba.
O elenco reúne 70 sambistas selecionados entre as Escolas de Samba do Grupo Especial: cantores, ritmistas, passistas, baianas, destaques, mestres-salas e porta-bandeiras desfilam no palco e, ao final da apresentação, convidam o público para um desfile de verdade, na pista que circunda os 12 barracões.
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